quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Transformações

Vazia.
Fria.
Quebrada.
Sozinha.

Podia ser simples, mas resolveu ser complicada.
Resolveram por ela.
A vida resolveu.
Lhe transformou.

Aquela que um dia fora coração de pedra e havia deixado de ser, tinha voltado às antigas. O coração já não batia mais como antes, descompassado, alegre, vibrante... Hoje em dia ele tinha ritmo, era lento e sem graça. O brilho do sol já não era mais tão intenso, os sorrisos não tinham mais tanta vivacidade, tudo havia ficado com um pouco menos de cor. Havia montado sua armadura de novo e ficara presa nela, precisava de ajuda. Precisava que a tirassem da armadura, que quebrassem toda a barreira que ela criou com o tempo.

Achava que só o amor lhe completaria, não poderia estar mais enganada. Encontrou sua metade -ou melhor, suas- na amizade. Aqueles que sempre estiveram com ela, que a aceitavam mesmo sendo quebrada, pois a completavam, lhe faziam inteira. E mesmo que o coração não pulsasse saltitante, ele não estava mais sem graça, estava vivo, porém tranquilo. Não havia tirado a armadura, nem desfeito as barreiras, continuava presa em seu castelo de gelo. Mas se aquecia com o abraço dos amigos, com as palavras carinhosas, com os sorrisos sinceros.

Cheia.
Quente.
Inteira.
Acompanhada.

Podia ser complicada, mas resolveu ser simples.
Resolveram por ela.
A amizade resolveu.
Lhe completou.

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Andressa Machado

Ora, por que teria ruborizado? Se não fosse para querer dizer sim? Em quantas anda tua ira, teu desejo indecente? Não sabes tu da necessidade que não é carne? Se sabes, me diga, pois quero descansar em teu seio. Quero entrar em teu corpo, me encontrar na tua cidade levemente construída sobre o mar
Aqui Vem chuva, antiquíssima e idêntica, vem vento minuano, vem umidade. Vem tudo quanto puder bater em tua janela a minha humana ladradura. Mais alto que um terraço, é o meu amor. A música dos teus olhos é trilha sonora da minha perdição. E O teu coração parece assustado, nervoso, até. Teria ele um veneno secreto, de vício imediato? Tenta-me a possibilidade... E em tua boca, O que guarda além da voz, o que recebe além do ar? Imagino-me partícula, a explorar o interior do teu sorriso, em detalhes científicos... Será possível imaginar a cor dos teus lençóis? Do teu rosto de dormir, de sonhar? Do teu sonho secreto? Voarei hoje pela tua janela, na maneira da fumaça: meu melhor incenso velando teu sono. E, pela cortina, irei te acariciar...

Gabriel Soares. Fugindo um pouco da proposta do blog, mas precisava postar esse presente que recebi há uns meses atrás... Poema feito pelo Gabriel Soares, que é lááá de Feliz/RS e nunca chegou a me conhecer pessoalmente...Porém sempre foi muito querido comigo desde que divulguei a banda dele (Oni) na Earworm -minha divulgação de bandas no facebook. Obrigada pelo presente :D
© Last Resort
Maira Gall